Vidas Secas, Graciliano Ramos
Narrado em 3ªpessoa, Vidas Secas possui 13 capítulos autônomos, mas se ligam pela repetição de alguns motivos e temas, como a paisagem árida, a zoomorfização e antropomorfização das criaturas, os pensamentos fragmentados das personagens e consequentemente os problemas de linguagem.
Vidas Secas retrata a dramática desavença de pessoas que não conseguem comunicar-se. Nem os opressores comunicam-se com os oprimidos, nem cada grupo comunica-se entre si.
Os diálogos são raros, as palavras que vêm diretamente das personagens são apenas xingamentos, exclamações, ou mesmo grunhidos. A terra é seca, mas sobretudo o homem é seco. Daí o título Vidas Secas.
Vidas Secas começa com uma fuga e termina com outra. O romance decorre entre duas situações: entre a seca e as águas, o mundo de Fabiano e o mundo composto pela sociedade ( soldado amarelo, seu Tomás da bolandeira, o patrão de Fabiano).
Graciliano Ramos pretende na obra, denunciar a desigualdade entre os homens, a opressão social, a injustiça e principalmente a luta das pessoas diante do flagelo da estiagem e o sacrifício delas para sobreviver.
Vidas Secas é atual, é pensar no Brasil e no mundo de hoje.
Enquanto houver injustiça social, crianças com fome e trabalhadores explorados, Vidas Secas será atual, porque é baseada nessa realidade de exclusão e opressão.
