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segunda-feira, 27 de maio de 2013

A Moreninha

Nossa 3ªleitura- A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo



Com a Independência do Brasil, em 1822, os escritores românticos tomaram para si o compromisso de definir nação, povo, língua e cultura brasileira. O romance, ao surgir nesse contexto, assumiu o papel de um dos principais instrumentos nesse processo de "descoberta" do país e de busca da identidade nacional.

       O romance brasileiro e a busca do nacional

       Nas décadas que sucederam a Independência do Brasil, os romancistas empenharam-se no projeto de construção de uma cultura brasileira autônoma. Esse projeto exigia dos escritores o reconhecimento da identidade de nossa gente, nossa língua, nossas tradições e também das nossas diferenças regionais e culturais. Nessa busca do nacional, o romance voltou-se para os espaços nacionais, identificados como a selva, o campo e a cidade, que deram origem, respectivamente, ao romance indianista e histórico, ao romance regional e ao romance urbano.

       A Moreninha

       No Brasil, a literatura romântica contou com um número considerável de romances urbanos, entre os quais se  destaca A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, o primeiro romance brasileiro propriamente dito.
       Macedo utilizou ingredientes necessários para satisfazer o gosto do leitor da época: o namoro difícil ou impossível, a dúvida entre o dever e o desejo, a revelação surpreendente de uma identidade, as brincadeiras de estudantes e uma linguagem mais inclinada para o tom coloquial.
       Um boa leitura! 


Aprendendo mais um pouco:- A Moreninha 


       A vida de Joaquim Manuel de Macedo coincidiu com os anos em que o Brasil vivia sob o regime imperial. Às vésperas da proclamação da Independência, presenciou os esforços de emancipação política do Brasil, acompanhou as grandes modificações pela qual passou a cidade da Corte (Rio de Janeiro), no seu esforço de modernização e morreu sete anos antes da Proclamação da República, em 1889. Esses fatos políticos, sociais e culturais  serviram de base para que Macedo desenvolvesse e introduzisse no país um novo estilo literário: o Romantismo.
       Na primeira metade do século XIX, a inseminação da cultura europeia no Brasil era latente. Chegavam da Europa a moda, as revistas, os perfumes e também as ideias renovadoras do Romantismo (a cidade do Rio de Janeiro era considerada a Nova Paris), cuja proposta era a de uma literatura voltada para as raízes nacionais, expressa em linguagem simples e próxima do coloquial com valorização do folclore, das tradições e das manifestações individuais.
       Ao mesmo tempo em que crescia o número de leitores no país, verifica-se o surgimento de uma vida cultural na corte brasileira. Esses acontecimentos eram resultado do gradual desenvolvimento das cidades, em especial o Rio de Janeiro. Consequência dessa gradual evolução social surgiram na capital do Império vários jornais, trazendo outra novidade: o folhetim.Configurado como uma simples técnica de publicação, os jornais dependiam dessas histórias de leitura rápida e descompromissada, em que o enredo, sempre que alcançava um momento culminante, era interrompido propositalmente para que pudessem atingir seu público alvo ( mulheres ricas e ociosas ). Dessa forma, o folhetim alterou profundamente as características do romance enquanto gênero literário. Tanto A Moreninha como outros romances de Macedo, possuem as características do romance-folhetim, gênero da narrativa que irá marcar definitivamente os primórdios do romance brasileiro.
        O estilo de Macedo segue uma linguagem ágil, viva, introduzindo o leitor diretamente no centro da ação. Um exemplo é o primeiro capítulo "Aposta imprudente" em que os diálogos entre os estudantes seguem diretos, sem a interferência do narrador onisciente.
        Ao longo do texto, o narrador limita-se a conduzir o leitor pelos ambientes e pelo interior das personagens  (Capítulo XIX - "Entremos nos corações"), orientando o leitor a acompanhar todas as ações. Macedo também costuma ser econômico nos comentários e nas descrições.
        As heroínas de Macedo, longe do esquema dos super-heróis míticos que povoam o Romantismo, não deixam de constituir seres excepcionais. Nos homens eles adquirem um caráter retido, são corajosos, fiéis e absolutamente honestos, enquanto que nas jovens heroínas destaca-se o perfil idealizado, com ar de entidades sobre-humanas, quase divinas, bem de acordo com os padrões femininos valorizados pelo Romantismo.
         Por fim, podemos dizer que Joaquim Manuel de Macedo, sendo fiel demais ao seu tempo, passou com ele, e hoje sua obra, do ponto de vista sociológico, nos interessa mais como documento do modo de sentir e viver de uma época do que especificamente um documento literário.

domingo, 22 de abril de 2012

Aprendendo um pouco mais: Resenha crítica da obra A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo

    A Moreninha segue a estrutura típica do romance romântico: a superação do herói de todos os problemas para, ao final, concretizar seu grande amor. O livro não narra apenas o nascimento do romance entre Augusto e Carolina, mas é também a história de sua própria criação enquanto romance, forma literária consagrada no Romantismo que pressupõe uma longa história em prosa girando em torno dos desdobramentos de um enredo, envolvendo um certo número de personagens.
     Augusto é um estudante alegre, jovial, inteligente e namorador. Dotado de sólidos princípios morais, fez um juramento amoroso no início da adolescência que retardará a concretização de seu amor por Carolina. É o impedimento de ordem moral que permitirá o desenvolvimento de várias ações até que, ao final da história, a jovem Carolina é quem revelará a Augusto a menina por quem ele jurara amor eterno ( exaltação ao sentimento de amor). A caracterização de Augusto é feita por etapas. No início, seus colegas o veem como romântico e insconstante; mais tarde Augusto confessa que sua inconstância é, na verdade, uma forma de disfarçar sua fidelidade a um amor não realizado.
     Carolina é a personagem significativa para a criação de um mito romântico estritamente brasileiro: é jovem e "moreninha", ou seja, morena de um tom leve e agradável, e não profundo e sedutor como outras heroínas da época. É também travessa, inteligente e astuta. O perfil de Carolina atualiza e recicla outro mito romântico que mais tarde reaparecerá na prosa de José de Alencar e na poesia de Gonçalves Dias: o índio brasileiro. Carolina tem, portanto, um lastro poético indianista refletindo a preocupação literária da época em criar e valorizar elementos culturais da então jovem nação brasileira.
     Toda a ação da obra gira em torno da Ilha de Paquetá, na Baia de Guanabara, uma ilha paradisíaca, cenário ideal para o desenvolvimento de uma trama romântica, de casos amorosos, revelando o olhar do escritor romântico que busca na natureza o material poético capaz de legitimar nossa identidade cultural. É lá onde vivem D.Ana e sua neta Carolina. Apenas no início e no fim do romance é que podemos presenciar as personagens na cidade do Rio de Janeiro. 
      Há na obra traços que sintetizam o contexto histórico e social de nossa Literatura romântica. O quarto do estudante refletindo o Rio de Janeiro da época, que rapidamente se urbaniza e sofistica ( as faculdades que surgiram poucos anos antes de a obra ser concluída ), e sua vida social, fazendo parecer uma burguesia consumidora de livros.