sábado, 26 de outubro de 2013

MORTE E VIDA SEVERINA - Aprofundando um pouco mais

                                                                        TEMÁTICA

                Morte e Vida Severina (1954-1955) aborda o tema espinhoso da seca nordestina, dando voz aos retirantes que fazem o duro percurso entre o Rio Capibaribe e Recife. Percebe-se um forte apelo social, mostrando o drama de um homem que não tem um trabalho fixo e pior, fica vagando pelo sertão em busca de uma tarefa que não aparece.
                 O grande desafio do retirante é o confronto que trava, ao longo do poema, com a morte.
                 O texto, no conjunto, apesar da forte crítica social, apresenta grande esperança. Pela ótica que ele é apresentado, cada vida que brota, mesmo tendo um destino "severino", há uma renovação de uma vida melhor.
                  A explosão de mais "uma vida severina" parece dar continuidade a essa corrente de severinos. Eles não estão somente no sertão seco do Nordeste; estão em todo país, severinamente lutando contra a "morte em vida".
                 Morte e vida se equivalem, pois a vida é uma luta constante contra a morte, uma luta para manter-se a vida, mesmo que "severina", isto é, sofrida.

                 " mesmo quando é uma explosão
                   como a de há pouco, franzina;
                   mesmo quando é a explosão
                   de uma vida severina."                 

                                              
                                         O TEMPO, O ESPAÇO E A NARRAÇÃO


                 O tempo e o espaço contribuem para o caráter de denúncia social da narrativa. O tempo não é determinado cronologicamente, o único indício que aparece é a situação da seca e a estação do verão, na época em que o Capibaribe seca.
                 O espaço possui um movimento de deslocamento: o retirante faz a travessia do Agreste para a Caatinga, da Zona da Mata para o Recife. Durante esse deslocamento, em busca da vida, depara-se com tantas mortes e misérias, que pensa em se atirar no rio e apressar a própria morte.
                 A história é narrada em 1ª pessoa, pelo personagem Severino, composta de monólogos e diálogos com outros personagens.
                 Morte e Vida Severina apresenta uma linguagem concisa, porém repleta de expressões populares, bem como de muita musicalidade.

                                                                                                 Uma boa leitura!



quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Morte e Vida Severina, João Cabral de Melo Neto

                                                         ESTRUTURA DA NARRATIVA      

                               Trata-se de um auto de Natal, seguindo a tradição dos autos medievais, é uma narrativa em versos, faz uso da redondilha, do ritmo e da musicalidade.
                               Morte e Vida Severina estruturalmente está dividida em 18 partes, no entanto, outra divisão muito nítida pode ser feita quanto à temática: da parte 1 a 9, compreende-se o trajeto sofrido de Severino até Recife, seguindo sempre o rio Capibaribe, ou o "fio da vida" que ele se dispõe a seguir, mesmo quando o rio lhe falta e dele só encontra marca no chão crestado pelo sol. Da parte 10 a 18, o retirante está no Recife ou em seus arredores e sofridamente sabe que para ele não há nenhuma saída, a não ser aquela que presenciou no percurso: a morte.
                               Sua linha narrativa segue dois movimentos que aparecem no título: morte e vida. No primeiro temos percurso de Severino, personagem-protagonista, para Recife, em face da opressão econômico- social. Severino tem a força coletiva de uma personagem típica: o retirante nordestino. Do interior da Paraíba ao Recife: a busca de vida X a sucessão de mortes. No segundo movimento, o da vida. O autor coloca a euforia da ressurreição da vida, Severino assiste à encenação celebrativa do nascimento.
                                 E quando Severino está para pular para fora da ponte da vida, eis que a Vida renasce através de um choro de menino.