A Moreninha segue a estrutura típica do romance romântico: a superação do herói de todos os problemas para, ao final, concretizar seu grande amor. O livro não narra apenas o nascimento do romance entre Augusto e Carolina, mas é também a história de sua própria criação enquanto romance, forma literária consagrada no Romantismo que pressupõe uma longa história em prosa girando em torno dos desdobramentos de um enredo, envolvendo um certo número de personagens.
Augusto é um estudante alegre, jovial, inteligente e namorador. Dotado de sólidos princípios morais, fez um juramento amoroso no início da adolescência que retardará a concretização de seu amor por Carolina. É o impedimento de ordem moral que permitirá o desenvolvimento de várias ações até que, ao final da história, a jovem Carolina é quem revelará a Augusto a menina por quem ele jurara amor eterno ( exaltação ao sentimento de amor). A caracterização de Augusto é feita por etapas. No início, seus colegas o veem como romântico e insconstante; mais tarde Augusto confessa que sua inconstância é, na verdade, uma forma de disfarçar sua fidelidade a um amor não realizado.
Carolina é a personagem significativa para a criação de um mito romântico estritamente brasileiro: é jovem e "moreninha", ou seja, morena de um tom leve e agradável, e não profundo e sedutor como outras heroínas da época. É também travessa, inteligente e astuta. O perfil de Carolina atualiza e recicla outro mito romântico que mais tarde reaparecerá na prosa de José de Alencar e na poesia de Gonçalves Dias: o índio brasileiro. Carolina tem, portanto, um lastro poético indianista refletindo a preocupação literária da época em criar e valorizar elementos culturais da então jovem nação brasileira.
Toda a ação da obra gira em torno da Ilha de Paquetá, na Baia de Guanabara, uma ilha paradisíaca, cenário ideal para o desenvolvimento de uma trama romântica, de casos amorosos, revelando o olhar do escritor romântico que busca na natureza o material poético capaz de legitimar nossa identidade cultural. É lá onde vivem D.Ana e sua neta Carolina. Apenas no início e no fim do romance é que podemos presenciar as personagens na cidade do Rio de Janeiro.
Há na obra traços que sintetizam o contexto histórico e social de nossa Literatura romântica. O quarto do estudante refletindo o Rio de Janeiro da época, que rapidamente se urbaniza e sofistica ( as faculdades que surgiram poucos anos antes de a obra ser concluída ), e sua vida social, fazendo parecer uma burguesia consumidora de livros.
Este Blog tem como meta assessorar as atividades extraclasses e ampliar o canal de comunicação entre professor e aluno.