sexta-feira, 23 de março de 2012

MORTE E VIDA SEVERINA, João Cabral de Melo Neto

              Morte e vida severina é a obra mais conhecida de João Cabral de Melo Neto e a responsável pela relativa popularidade do autor. Trata-se de um auto de Natal, seguindo a tradição dos autos medievais, faz uso da redondilha, do ritmo e da musicalidade.
                                                              
                                                                  ENREDO
    
       Severino, um lavrador do sertão pernambucano, foge da seca e da miséria e parte em busca de trabalho na capital, Recife. Trilha o leito seco do rio Capibaribe e, no caminho, só encontra fome, miséria e mortes, mortes de severinos como ele.
      Ao se aproximar do mar, vê campos verdejantes de cana, mas a miséria dos trabalhadores é a mesma. Já na capital, ouve a conversa de dois coveiros, por meio do qual fica sabendo que ali também, na capital, a miséria e a morte são irmãs. O que vê nos manguezais são homens misturados ao barro, vivendo em condições precárias. Desolado, o retirante aproxima-se de um dos cais do Capibaribe e pensa em suicídio. Mas, aproxima-se de Severino um morador daquela mangue, "Seu José, mestre carpina", que, com sua sabedoria de muitos anos de vida severina, desperta-lhe alguma esperança.
      Logo depois, Seu José é chamado por uma vizinha, que lhe dá a notícia do nascimento do filho que ele aguardava. Severino os acompanha e presencia a homenagem que os vizinhos fazem à criança.

SEVERINO - Substantivo próprio, comum e adjetivo

      Morte e vida severina contém, no título, todo o significado social que se estende pelo poema. Ao inverter a ordem natural  "vida e morte" , o poeta registra com precisão a qualidade da vida que seu poema visa a descrever: Uma vida a que a morte persiste. E ambas, morte e vida, têm por determinante o adjetivo "severina", porque Severino é o protagonista que, desde a apresentação, insiste no caráter comum de seu nome. De substantivo próprio, "Severino" passa a ser comum e daí  para adjetivo.

"E se somos Severinos/ iguais em tudo na vida/ morremos de morte igual/ mesma morte severina:/ que é morte que se morre/ de velhice antes dos trinta/ de emboscada antes dos vinte/ de fome um pouco por dia/."

       Assim, o poeta define a morte severina e depois, também, a vida severina:

"Aquela vida que é menos/ vivida que defendida/ e é ainda mais severina para o homem que retira".
    
                                  Referências bibliográficas: Literatura brasileira, William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães
                                                                                 Linguagem e Interação, Carlos Emílio Faraco, Francisco Marto de Moura e 
                                                                                 José Hamilton Maruxo Júnior
                                                                                 Literatura brasileira, Alfredo Bosi

    

quinta-feira, 1 de março de 2012

Sinopse do livro paradidático: O Pequeno Aprendiz, de Anderson Dutra

     Trajetória de uma vida, contada em 1ª pessoa, pelo narrador-personagem Francisco.
     A partir de algum momento de sua existência, no útero da mãe, Francisco começa a contar, passo a passo, suas descobertas: os minúsculos braços,  mãos e os dedos. À medida que a gravidez evuluía, experiências agradáveis e enriquecedoras se acumulavam, como ouvir sons abafados e rítmicos.
     Aos poucos, Francisco sentia os movimentos exteriores, as reações da mãe, até que com a ruptura da bolsa amniótica, as contrações vieram e Francisco nasceu.
     Desde o primeiro instante do nascimento, Francisco sentiu as ondas de Amor, o círculo de luz, provenientes de duas partes especiais: do pai e da mãe, uma ligação inexplicável e sublime, que permaneceria por toda a vida.
     Francisco admirava os pais. Via na mãe um livro aberto e no pai, um caramujo. Resolveu que seria  ele mesmo, criando um filtro.
     No sétimo dia de vida, Francisco foi internado. Encefalite, uma inflamação no cérebro mudou o rumo de sua vida. Assim, braços e pernas atrofiados e retorcidos e uma cadeira de rodas eram agora o seu dia a dia.
     As intuições ajudaram-no a superar o problema. " A dor é parte do amor." Deus é Amor!" Nada é impossível se tenho Amor!"
     Desafios e tentativas de superação. Francisco não desistiria, pois uma das melhores virtudes era a Persistência. Dizia Francisco:
" Para vencermos esses terríveis inimigos, devemos trabalhar em equipe. As ações serão coordenadas e as etapas cumpridas até a vitória. Vamos estudar o nosso inimigo. Diagnosticar os nossos erros e acertos e agir!"
     Em cada amanhecer, Francisco tinha a certeza de um recomeço, a certeza de que todas as esperanças seriam renovadas. Diante das três palavras propostas pela mãe: Confie, Ame e Perdoe, a vida de Francisco, dos pais e irmãos e a do Doutor, tornaram-se amenas.
    Aos poucos, Francisco descobriu que a fúria é verdadeiramente um sentimento fascinante, em contrapartida ouvia a mãe dizer: "Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos"
     Os meses se arrastaram., João, André e Tiago saíam cedo para a escola, o pai disciplinado e disciplinador, ao trabalho.Aos sábados, rotineiramente, acontecia os passeios. Papai rolava a cadeira de rodas de Francisco, mamãe levava a bolsa, os irmãos caminhavam ao lado deles, como pintinhos acompanhando a galinha cacarejante de asas abertas. Os passeios para Francisco, na verdade, era uma terapia de grupo.
     Os anos se passaram e as pernas atrofiadas de Francisco permaneciam encolhidas e rodadas. A mãe esforçava-se, mantendo a programação de massagens e exercícios, Tiago recortava e colava figuras, André, muito ágil, saltava por cima do sofá e João, um menino especial, maduro para a idade, mudou-se para a capital, a fim de completar os estudos. Iniciativa que abriu caminho para os irmãos, que seguiram seus passos. Papai, pouco a pouco, vinha se transformando, tornando-se mais sensível e amoroso, cumprindo a promessa de um Gol para Francisco, com os olhos cheios de lágrimas.
     Numa manhã de segunda-feira, por volta das onze horas, Francisco morre e nada mais.