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domingo, 26 de agosto de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
Aprendendo um pouco mais: Resenha crítica da obra A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo
A Moreninha segue a estrutura típica do romance romântico: a superação do herói de todos os problemas para, ao final, concretizar seu grande amor. O livro não narra apenas o nascimento do romance entre Augusto e Carolina, mas é também a história de sua própria criação enquanto romance, forma literária consagrada no Romantismo que pressupõe uma longa história em prosa girando em torno dos desdobramentos de um enredo, envolvendo um certo número de personagens.
Augusto é um estudante alegre, jovial, inteligente e namorador. Dotado de sólidos princípios morais, fez um juramento amoroso no início da adolescência que retardará a concretização de seu amor por Carolina. É o impedimento de ordem moral que permitirá o desenvolvimento de várias ações até que, ao final da história, a jovem Carolina é quem revelará a Augusto a menina por quem ele jurara amor eterno ( exaltação ao sentimento de amor). A caracterização de Augusto é feita por etapas. No início, seus colegas o veem como romântico e insconstante; mais tarde Augusto confessa que sua inconstância é, na verdade, uma forma de disfarçar sua fidelidade a um amor não realizado.
Carolina é a personagem significativa para a criação de um mito romântico estritamente brasileiro: é jovem e "moreninha", ou seja, morena de um tom leve e agradável, e não profundo e sedutor como outras heroínas da época. É também travessa, inteligente e astuta. O perfil de Carolina atualiza e recicla outro mito romântico que mais tarde reaparecerá na prosa de José de Alencar e na poesia de Gonçalves Dias: o índio brasileiro. Carolina tem, portanto, um lastro poético indianista refletindo a preocupação literária da época em criar e valorizar elementos culturais da então jovem nação brasileira.
Toda a ação da obra gira em torno da Ilha de Paquetá, na Baia de Guanabara, uma ilha paradisíaca, cenário ideal para o desenvolvimento de uma trama romântica, de casos amorosos, revelando o olhar do escritor romântico que busca na natureza o material poético capaz de legitimar nossa identidade cultural. É lá onde vivem D.Ana e sua neta Carolina. Apenas no início e no fim do romance é que podemos presenciar as personagens na cidade do Rio de Janeiro.
Há na obra traços que sintetizam o contexto histórico e social de nossa Literatura romântica. O quarto do estudante refletindo o Rio de Janeiro da época, que rapidamente se urbaniza e sofistica ( as faculdades que surgiram poucos anos antes de a obra ser concluída ), e sua vida social, fazendo parecer uma burguesia consumidora de livros.
Augusto é um estudante alegre, jovial, inteligente e namorador. Dotado de sólidos princípios morais, fez um juramento amoroso no início da adolescência que retardará a concretização de seu amor por Carolina. É o impedimento de ordem moral que permitirá o desenvolvimento de várias ações até que, ao final da história, a jovem Carolina é quem revelará a Augusto a menina por quem ele jurara amor eterno ( exaltação ao sentimento de amor). A caracterização de Augusto é feita por etapas. No início, seus colegas o veem como romântico e insconstante; mais tarde Augusto confessa que sua inconstância é, na verdade, uma forma de disfarçar sua fidelidade a um amor não realizado.
Carolina é a personagem significativa para a criação de um mito romântico estritamente brasileiro: é jovem e "moreninha", ou seja, morena de um tom leve e agradável, e não profundo e sedutor como outras heroínas da época. É também travessa, inteligente e astuta. O perfil de Carolina atualiza e recicla outro mito romântico que mais tarde reaparecerá na prosa de José de Alencar e na poesia de Gonçalves Dias: o índio brasileiro. Carolina tem, portanto, um lastro poético indianista refletindo a preocupação literária da época em criar e valorizar elementos culturais da então jovem nação brasileira.
Toda a ação da obra gira em torno da Ilha de Paquetá, na Baia de Guanabara, uma ilha paradisíaca, cenário ideal para o desenvolvimento de uma trama romântica, de casos amorosos, revelando o olhar do escritor romântico que busca na natureza o material poético capaz de legitimar nossa identidade cultural. É lá onde vivem D.Ana e sua neta Carolina. Apenas no início e no fim do romance é que podemos presenciar as personagens na cidade do Rio de Janeiro.
Há na obra traços que sintetizam o contexto histórico e social de nossa Literatura romântica. O quarto do estudante refletindo o Rio de Janeiro da época, que rapidamente se urbaniza e sofistica ( as faculdades que surgiram poucos anos antes de a obra ser concluída ), e sua vida social, fazendo parecer uma burguesia consumidora de livros.
sexta-feira, 23 de março de 2012
MORTE E VIDA SEVERINA, João Cabral de Melo Neto
Morte e vida severina é a obra mais conhecida de João Cabral de Melo Neto e a responsável pela relativa popularidade do autor. Trata-se de um auto de Natal, seguindo a tradição dos autos medievais, faz uso da redondilha, do ritmo e da musicalidade.
ENREDO
Severino, um lavrador do sertão pernambucano, foge da seca e da miséria e parte em busca de trabalho na capital, Recife. Trilha o leito seco do rio Capibaribe e, no caminho, só encontra fome, miséria e mortes, mortes de severinos como ele.
Ao se aproximar do mar, vê campos verdejantes de cana, mas a miséria dos trabalhadores é a mesma. Já na capital, ouve a conversa de dois coveiros, por meio do qual fica sabendo que ali também, na capital, a miséria e a morte são irmãs. O que vê nos manguezais são homens misturados ao barro, vivendo em condições precárias. Desolado, o retirante aproxima-se de um dos cais do Capibaribe e pensa em suicídio. Mas, aproxima-se de Severino um morador daquela mangue, "Seu José, mestre carpina", que, com sua sabedoria de muitos anos de vida severina, desperta-lhe alguma esperança.
Logo depois, Seu José é chamado por uma vizinha, que lhe dá a notícia do nascimento do filho que ele aguardava. Severino os acompanha e presencia a homenagem que os vizinhos fazem à criança.
SEVERINO - Substantivo próprio, comum e adjetivo
Morte e vida severina contém, no título, todo o significado social que se estende pelo poema. Ao inverter a ordem natural "vida e morte" , o poeta registra com precisão a qualidade da vida que seu poema visa a descrever: Uma vida a que a morte persiste. E ambas, morte e vida, têm por determinante o adjetivo "severina", porque Severino é o protagonista que, desde a apresentação, insiste no caráter comum de seu nome. De substantivo próprio, "Severino" passa a ser comum e daí para adjetivo.
"E se somos Severinos/ iguais em tudo na vida/ morremos de morte igual/ mesma morte severina:/ que é morte que se morre/ de velhice antes dos trinta/ de emboscada antes dos vinte/ de fome um pouco por dia/."
Assim, o poeta define a morte severina e depois, também, a vida severina:
"Aquela vida que é menos/ vivida que defendida/ e é ainda mais severina para o homem que retira".
Referências bibliográficas: Literatura brasileira, William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães
Linguagem e Interação, Carlos Emílio Faraco, Francisco Marto de Moura e
José Hamilton Maruxo Júnior
Literatura brasileira, Alfredo Bosi
ENREDO
Severino, um lavrador do sertão pernambucano, foge da seca e da miséria e parte em busca de trabalho na capital, Recife. Trilha o leito seco do rio Capibaribe e, no caminho, só encontra fome, miséria e mortes, mortes de severinos como ele.
Ao se aproximar do mar, vê campos verdejantes de cana, mas a miséria dos trabalhadores é a mesma. Já na capital, ouve a conversa de dois coveiros, por meio do qual fica sabendo que ali também, na capital, a miséria e a morte são irmãs. O que vê nos manguezais são homens misturados ao barro, vivendo em condições precárias. Desolado, o retirante aproxima-se de um dos cais do Capibaribe e pensa em suicídio. Mas, aproxima-se de Severino um morador daquela mangue, "Seu José, mestre carpina", que, com sua sabedoria de muitos anos de vida severina, desperta-lhe alguma esperança.
Logo depois, Seu José é chamado por uma vizinha, que lhe dá a notícia do nascimento do filho que ele aguardava. Severino os acompanha e presencia a homenagem que os vizinhos fazem à criança.
SEVERINO - Substantivo próprio, comum e adjetivo
Morte e vida severina contém, no título, todo o significado social que se estende pelo poema. Ao inverter a ordem natural "vida e morte" , o poeta registra com precisão a qualidade da vida que seu poema visa a descrever: Uma vida a que a morte persiste. E ambas, morte e vida, têm por determinante o adjetivo "severina", porque Severino é o protagonista que, desde a apresentação, insiste no caráter comum de seu nome. De substantivo próprio, "Severino" passa a ser comum e daí para adjetivo.
"E se somos Severinos/ iguais em tudo na vida/ morremos de morte igual/ mesma morte severina:/ que é morte que se morre/ de velhice antes dos trinta/ de emboscada antes dos vinte/ de fome um pouco por dia/."
Assim, o poeta define a morte severina e depois, também, a vida severina:
"Aquela vida que é menos/ vivida que defendida/ e é ainda mais severina para o homem que retira".
Referências bibliográficas: Literatura brasileira, William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães
Linguagem e Interação, Carlos Emílio Faraco, Francisco Marto de Moura e
José Hamilton Maruxo Júnior
Literatura brasileira, Alfredo Bosi
quinta-feira, 1 de março de 2012
Sinopse do livro paradidático: O Pequeno Aprendiz, de Anderson Dutra
Trajetória de uma vida, contada em 1ª pessoa, pelo narrador-personagem Francisco.
A partir de algum momento de sua existência, no útero da mãe, Francisco começa a contar, passo a passo, suas descobertas: os minúsculos braços, mãos e os dedos. À medida que a gravidez evuluía, experiências agradáveis e enriquecedoras se acumulavam, como ouvir sons abafados e rítmicos.
Aos poucos, Francisco sentia os movimentos exteriores, as reações da mãe, até que com a ruptura da bolsa amniótica, as contrações vieram e Francisco nasceu.
Desde o primeiro instante do nascimento, Francisco sentiu as ondas de Amor, o círculo de luz, provenientes de duas partes especiais: do pai e da mãe, uma ligação inexplicável e sublime, que permaneceria por toda a vida.
Francisco admirava os pais. Via na mãe um livro aberto e no pai, um caramujo. Resolveu que seria ele mesmo, criando um filtro.
No sétimo dia de vida, Francisco foi internado. Encefalite, uma inflamação no cérebro mudou o rumo de sua vida. Assim, braços e pernas atrofiados e retorcidos e uma cadeira de rodas eram agora o seu dia a dia.
As intuições ajudaram-no a superar o problema. " A dor é parte do amor." Deus é Amor!" Nada é impossível se tenho Amor!"
Desafios e tentativas de superação. Francisco não desistiria, pois uma das melhores virtudes era a Persistência. Dizia Francisco:
" Para vencermos esses terríveis inimigos, devemos trabalhar em equipe. As ações serão coordenadas e as etapas cumpridas até a vitória. Vamos estudar o nosso inimigo. Diagnosticar os nossos erros e acertos e agir!"
Em cada amanhecer, Francisco tinha a certeza de um recomeço, a certeza de que todas as esperanças seriam renovadas. Diante das três palavras propostas pela mãe: Confie, Ame e Perdoe, a vida de Francisco, dos pais e irmãos e a do Doutor, tornaram-se amenas.
Aos poucos, Francisco descobriu que a fúria é verdadeiramente um sentimento fascinante, em contrapartida ouvia a mãe dizer: "Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos"
Os meses se arrastaram., João, André e Tiago saíam cedo para a escola, o pai disciplinado e disciplinador, ao trabalho.Aos sábados, rotineiramente, acontecia os passeios. Papai rolava a cadeira de rodas de Francisco, mamãe levava a bolsa, os irmãos caminhavam ao lado deles, como pintinhos acompanhando a galinha cacarejante de asas abertas. Os passeios para Francisco, na verdade, era uma terapia de grupo.
Os anos se passaram e as pernas atrofiadas de Francisco permaneciam encolhidas e rodadas. A mãe esforçava-se, mantendo a programação de massagens e exercícios, Tiago recortava e colava figuras, André, muito ágil, saltava por cima do sofá e João, um menino especial, maduro para a idade, mudou-se para a capital, a fim de completar os estudos. Iniciativa que abriu caminho para os irmãos, que seguiram seus passos. Papai, pouco a pouco, vinha se transformando, tornando-se mais sensível e amoroso, cumprindo a promessa de um Gol para Francisco, com os olhos cheios de lágrimas.
Numa manhã de segunda-feira, por volta das onze horas, Francisco morre e nada mais.
A partir de algum momento de sua existência, no útero da mãe, Francisco começa a contar, passo a passo, suas descobertas: os minúsculos braços, mãos e os dedos. À medida que a gravidez evuluía, experiências agradáveis e enriquecedoras se acumulavam, como ouvir sons abafados e rítmicos.
Aos poucos, Francisco sentia os movimentos exteriores, as reações da mãe, até que com a ruptura da bolsa amniótica, as contrações vieram e Francisco nasceu.
Desde o primeiro instante do nascimento, Francisco sentiu as ondas de Amor, o círculo de luz, provenientes de duas partes especiais: do pai e da mãe, uma ligação inexplicável e sublime, que permaneceria por toda a vida.
Francisco admirava os pais. Via na mãe um livro aberto e no pai, um caramujo. Resolveu que seria ele mesmo, criando um filtro.
No sétimo dia de vida, Francisco foi internado. Encefalite, uma inflamação no cérebro mudou o rumo de sua vida. Assim, braços e pernas atrofiados e retorcidos e uma cadeira de rodas eram agora o seu dia a dia.
As intuições ajudaram-no a superar o problema. " A dor é parte do amor." Deus é Amor!" Nada é impossível se tenho Amor!"
Desafios e tentativas de superação. Francisco não desistiria, pois uma das melhores virtudes era a Persistência. Dizia Francisco:
" Para vencermos esses terríveis inimigos, devemos trabalhar em equipe. As ações serão coordenadas e as etapas cumpridas até a vitória. Vamos estudar o nosso inimigo. Diagnosticar os nossos erros e acertos e agir!"
Em cada amanhecer, Francisco tinha a certeza de um recomeço, a certeza de que todas as esperanças seriam renovadas. Diante das três palavras propostas pela mãe: Confie, Ame e Perdoe, a vida de Francisco, dos pais e irmãos e a do Doutor, tornaram-se amenas.
Aos poucos, Francisco descobriu que a fúria é verdadeiramente um sentimento fascinante, em contrapartida ouvia a mãe dizer: "Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos"
Os meses se arrastaram., João, André e Tiago saíam cedo para a escola, o pai disciplinado e disciplinador, ao trabalho.Aos sábados, rotineiramente, acontecia os passeios. Papai rolava a cadeira de rodas de Francisco, mamãe levava a bolsa, os irmãos caminhavam ao lado deles, como pintinhos acompanhando a galinha cacarejante de asas abertas. Os passeios para Francisco, na verdade, era uma terapia de grupo.
Os anos se passaram e as pernas atrofiadas de Francisco permaneciam encolhidas e rodadas. A mãe esforçava-se, mantendo a programação de massagens e exercícios, Tiago recortava e colava figuras, André, muito ágil, saltava por cima do sofá e João, um menino especial, maduro para a idade, mudou-se para a capital, a fim de completar os estudos. Iniciativa que abriu caminho para os irmãos, que seguiram seus passos. Papai, pouco a pouco, vinha se transformando, tornando-se mais sensível e amoroso, cumprindo a promessa de um Gol para Francisco, com os olhos cheios de lágrimas.
Numa manhã de segunda-feira, por volta das onze horas, Francisco morre e nada mais.
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