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domingo, 7 de agosto de 2011
Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
Machado de Assis (1839-1908) nasceu no Rio de Janeiro, mestiço, de origem humilde - filho de um mulato carioca e de uma imigrante açoriana - apesar de ter frequentado apenas a escola primária e ter sido obrigado a trabalhar desde a infância, alcançou alta posição como funcionário público e gozou consideração social numa época em que o Brasil ainda era uma monarquia escravocrata.
Machado de Assis foi jornalista, crítico literário, crítico teatral, teatrólogo, poeta, cronista, contista e romancista.
De sua extensa e variada obra sobressai o Machado de Assis contista e romancista, preocupado não só com a expressão e com a técnica de composição, mas também com a articulação dos temas, com a análise do caráter e do comportamento humano.
Apreciação crítica de Alfredo Bosi sobre o romance
"Reestruturação original da existência operada pelo homem que, se havia muito perdera as ilusões, ainda não encontrara a forma ficcional de desnudar as próprias criaturas, isto é, ainda não aprendera o manejo do distanciamento. Quando o romancista assumiu, naquele livro capital, o foco narrativo, na verdade passou ao defunto autor Machado-Brás Cubas delegação para exibir, com o despejo dos que já nada temem, as peças de cinismo e indiferença com que via montada a história dos homens. A revulução dessa obra, que parece cavar um fosso entre dois mundos, foi uma revolução ideológica e formal: aprofundando o desprezo às idealizações românticas e ferindo no cerne o mito do narrador onisciente, que tudo vê e tudo julga, deixou emergir a consciência nua do indivíduo, fraco e incoerente. O que restou foram as memórias de um homem igual a tantos outros, o cauto e desfrutador Brás Cubas."
Comentários sobre o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas:
Nascimento do romance Realista no Brasil / Contexto histórico-literário
Escrita por um narrador-personagem após sua morte, constitui um grandioso romance, de leitura complexa, mas profundamente enriquecedora.
O fato de Brás Cubas colocar-se como um defunto-autor, isto é, como alguém que conta a sua vida de além-túmulo, dá-nos a impressão de que tratará de um relato caracterizado pela isenção, pela imparcialidade de quem já não tem necessidade de mentir, pois deixou o mundo e todas as ilusões. No entanto, uma das chaves para compreendermos a obra é justamente desconfiarmos do narrador, colocarmos em dúvida a veracidade do que conta, prestando atenção em algumas "pistas" que denunciam suas mentiras, seus exageros, sua "mania de grandeza". Assim, poderemos perceber os sentidos mais profundos que atravessam o romance, por detrás da ironia e implacável de seu criador.
Machado de Assis, ao escolher a situação fantástica de um morto que conta histórias, e que mesmo estando do outro lado da vida procura mais "parecer" do que "ser", isto é, que mente, ilude e distorce os fatos, escondendo suas misérias para que sejam vistas como superioridades, questiona tanto a forma quanto o conteúdo do realismo tradicional.
Assim, inaugura um realismo peculiar, que se aprofunda no mergulho em busca do real, deixando de lado todas as aparências enganadoras, todas as suas esquematizações simplificadoras.
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