A linguagem do Realismo e do Naturalismo
Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas se empenharam em retratar o homem e a sociedade em conjunto. Não bastava mostrar a face sonhadora e idealizada da vida, como haviam feito os românticos; era preciso mostrar a face nunca antes revelada: a do cotidiano massacrante, do casamento por interesse, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo, da impotência do ser humano comum diante dos poderosos.
Embora o Realismo e o Naturalismo tenham objetivos diferentes, ambas as tendências se aproximam no projeto de observar, documentar e denunciar a realidade social. O Realismo se apura na análise da força das instituições sobre o indivíduo, no retrato das relações humanas permeadas de interesses, na introspecção psicológica. Menos psicológica do que o Realismo, o Naturalismo analisa a força de fatores como hereditariedade e meio sobre o comportamento humano.
Aluísio Azevedo
Aluísio Azevedo é considerado o iniciador do Naturalismo na literatura brasileira. O Naturalismo foi uma tendência do Realismo que procurava levar a literatura a se integrar no grande movimento da ciência. A literatura realista procurava basear-se numa observação minuciosa da realidade. O Naturalismo, além de observação minuciosa, era visto como uma "experiência" em torno do comportamento individual e social.
Os naturalistas eram deterministas, porque acreditavam que o comportamento humano fosse determinado por um triplo condicionamento: o condicionamento da raça (o fator biológico, genético), de meio (o fator social) e de momento(o fator histórico).
O Cortiço
O cortiço foi publicado em 1890, possui recorte sociológico, representando as relações entre o elemento português, que explora o Brasil em sua ânsia de enriquecimento, e o elemento brasileiro, apresentado como inferior e explorado pelo português.
Duas grandes qualidades devem ser observadas no estilo de O cortiço: uma é a grande capacidade de representação visual do autor que faz com que tenhamos, frequentemente, ao ler o romance, a impressão de estarmos assistindo a um filme; a outra é a sua habilidade para dar vida à multidão, ao grande grupo humano dos moradores do cortiço. Desse grande grupo, o romancista soube atribuir a cada personagem uma individualidade marcante.