quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Resenha literária- O menino do pijama listrado, John Boyne, São Paulo: Companhia das Letras, 2008, 186 págs.

                   O menino do pijama listrado conta a história de Bruno, filho de um oficial alemão nazista, subordinado a Hitler, que durante e Segunda Guerra Mundial sai com a família do conforto de seu lar em Berlim para próximo a um campo de concentração.
                   Bruno, com 9 anos de idade, desconhece, durante toda a narrativa, os horrores da guerra e nem mesmo sabe quem são aquelas pessoas que vê da janela de sua casa e que estão do outro lado da cerca, todos de pijamas listrados. Muito solitário, desgostoso com o novo lar, parte para explorar o local e inicia uma amizade com Shmuel, um menino da mesma idade, nascido no mesmo dia, porém judeu.
                   A amizade ocupa os dias de Bruno e durante os encontros na cerca, cada um do seu lado, se esquecem de seus problemas e insatisfações. Bruno é pura inocência, tendo no pai um exemplo de disciplina e respeito, alimenta uma amizade sincera e sem interesses, mesmo envolvidos por realidades bem diferentes. Estes laços estabelecidos entre eles transformam definitivamente suas existências.
                   Enquanto Bruno cresce saudavelmente, alheio à realidade, Shmuel perde cada vez mais peso e sua face ganha gradualmente uma coloração acinzentada. A amizade entre eles se desenvolve espontaneamente, e certamente é o elemento mais importante da obra do irlandês John Boyne.
                    O autor prioriza sua atenção na trajetória de Bruno e de sua família, com citação sutil sobre o extermínio dos judeus, mantendo o Holocausto como pano de fundo.
                    É uma fábula sobre a amizade em tempos de guerra e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrivel e inimaginável. Há um final surpreendente onde os nazi podem provar do próprio veneno.

Fontes:
www.meiapalavra.com.br
resenhasliterarias.blog.terra.com.br


                    
                   
                  

domingo, 7 de agosto de 2011

Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis

                                               
          Machado de Assis (1839-1908) nasceu no Rio de Janeiro, mestiço, de origem humilde - filho de um mulato carioca e de uma imigrante açoriana - apesar de ter frequentado apenas a escola primária e ter sido obrigado a trabalhar desde a infância, alcançou alta posição como funcionário público e gozou consideração social numa época em que o Brasil ainda era uma monarquia escravocrata.
          Machado de Assis foi jornalista, crítico literário, crítico teatral, teatrólogo, poeta, cronista, contista e romancista.
          De sua extensa e variada obra sobressai o Machado de Assis contista e romancista, preocupado não só com a expressão e com a técnica de composição, mas também com a articulação dos temas, com a análise do caráter e do comportamento humano.  
        
                               Apreciação crítica de Alfredo Bosi sobre o romance

             
                     "Reestruturação original da existência operada pelo homem que, se havia muito perdera as ilusões, ainda não encontrara a forma ficcional de desnudar as próprias criaturas, isto é, ainda não aprendera o manejo do distanciamento. Quando o romancista assumiu, naquele livro capital, o foco narrativo, na verdade passou ao defunto autor Machado-Brás Cubas delegação para exibir, com o despejo dos que já nada temem, as peças de cinismo e indiferença com que via montada a história dos homens. A revulução dessa obra, que parece cavar um fosso entre dois mundos, foi uma revolução ideológica e formal: aprofundando o desprezo às idealizações românticas e ferindo no cerne o mito do narrador onisciente, que tudo vê e tudo julga, deixou emergir a consciência nua do indivíduo, fraco e incoerente. O que restou foram as memórias de um homem igual a tantos outros, o cauto e desfrutador Brás Cubas."



                                Comentários sobre o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas: 
                            Nascimento do romance Realista no Brasil / Contexto histórico-literário

            
              Escrita por um narrador-personagem após sua morte, constitui um grandioso romance, de leitura complexa, mas profundamente enriquecedora.
             O fato de Brás Cubas colocar-se como um defunto-autor, isto é, como alguém que conta a sua vida de além-túmulo, dá-nos a impressão de que tratará de um relato caracterizado pela isenção, pela imparcialidade de quem já não tem necessidade de mentir, pois deixou o mundo e todas as ilusões. No entanto, uma das chaves para compreendermos a obra é justamente desconfiarmos do narrador, colocarmos em dúvida a veracidade do que conta, prestando atenção em algumas "pistas" que denunciam suas mentiras, seus exageros, sua "mania de grandeza". Assim, poderemos perceber os sentidos mais profundos que atravessam o romance, por detrás da ironia e implacável de seu criador.
              Machado de Assis, ao escolher a situação fantástica de um morto que conta histórias, e que mesmo estando do outro lado da vida procura mais "parecer" do que "ser", isto é, que mente, ilude e distorce os fatos, escondendo suas misérias para que sejam vistas como superioridades, questiona tanto a forma quanto o conteúdo do realismo tradicional.
              Assim, inaugura um realismo peculiar, que se aprofunda no mergulho em busca do real, deixando de lado todas as aparências enganadoras, todas as suas esquematizações simplificadoras.
              

terça-feira, 19 de julho de 2011

O Cortiço: Crítica social

      O romance O Cortiço, de Aluísio Azevedo gira em torno da vida de um cortiço carioca. O ambiente é retratado como um local miserável e promíscuo, capaz de contaminar quem se aproximava de lá.
      Sob esse pano de fundo, podemos acompanhar a ascensão econômica e social do inescrupuloso João Romão.    
      Partidário do pessimismo e influenciado por teorias deterministas, Azevedo submete seus personagens ao poder do dinheiro e da vida mundana. A obra faz uma dura crítica social, denuncia preconceitos raciais e a exploração do homem pelo homem.
      Trata-se de uma obra realista-naturalista, cujo personagem principal é o próprio cortiço.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Nossa 7ª leitura: O cortiço, Aluísio Azevedo

                                         A linguagem do Realismo e do Naturalismo
    
       Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas se empenharam em retratar o homem e a sociedade em conjunto. Não bastava mostrar a face sonhadora e idealizada da vida, como haviam feito os românticos; era preciso mostrar a face nunca antes revelada: a do cotidiano massacrante, do casamento por interesse, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo, da impotência do ser humano comum diante dos poderosos.
        Embora o Realismo e o Naturalismo tenham objetivos diferentes, ambas as tendências se aproximam no projeto de observar, documentar e denunciar a realidade social. O Realismo se apura na análise da força das instituições sobre o indivíduo, no retrato das relações humanas permeadas de interesses, na introspecção psicológica. Menos psicológica do que o Realismo, o Naturalismo analisa a força de fatores como hereditariedade e meio sobre o comportamento humano.
  
                                                           Aluísio Azevedo
       
      Aluísio Azevedo é considerado o iniciador do Naturalismo na literatura brasileira. O Naturalismo foi uma tendência do Realismo que procurava levar a literatura a se integrar no grande movimento da ciência. A literatura realista procurava basear-se numa observação minuciosa da realidade. O Naturalismo, além de observação minuciosa, era visto como uma "experiência" em torno do comportamento individual e social.
       Os naturalistas eram deterministas, porque acreditavam que o comportamento humano fosse determinado por um triplo condicionamento: o condicionamento da raça (o fator biológico, genético), de meio (o fator social) e de momento(o fator histórico).

                                                                  O Cortiço

      O cortiço foi publicado em 1890, possui recorte sociológico, representando as relações entre o elemento português, que explora o Brasil em sua ânsia de enriquecimento, e o elemento brasileiro, apresentado como inferior e explorado pelo português.
Duas grandes qualidades devem ser observadas no estilo de O cortiço: uma é a grande capacidade de representação visual do autor que faz com que tenhamos, frequentemente, ao ler o romance, a impressão de estarmos assistindo a um filme; a outra é a sua habilidade para dar vida à multidão, ao grande grupo humano dos moradores do cortiço. Desse grande grupo, o romancista soube atribuir a cada personagem uma individualidade marcante.